quarta-feira, 6 de março de 2013
Final: Triste e previsível
Era fim de outono e naquela altura, apesar de não se notar nenhuma diferença no seu estado físico, devido à doença, eu sentia bem que iriam ser os meus últimos dias a seu lado. Passaram-se quase três meses e desde inicio acordámos não falar nesse assunto e aproveitarmos cada momento como se fosse o último.
No dia 27 de Outubro de 2012 casámos, apesar da nossa idade jovem, ambos estávamos conscientes de que queríamos realmente aquilo, pois um amor como o nosso não surge no dia-a-dia. Sempre tive a esperança que encontrassem uma cura, sempre tive a esperança de que podia realmente viver um conto de fadas, com um final feliz, contigo.
Era fim de outono e, deitados num jardim, tu fechaste os olhos e não voltaste a abrir. Recordo-me de que queria dar-te uma notícia e que não sabia como dizê-la. Recordo-me que as tuas últimas palavras foram um profundo "Amo-te". Era dia 3 de Dezembro de 2012 e tu partiste. Senti um enorme vazio dentro de mim e arrependo-me de não ter ganho coragem para te contar aquilo que queria. Talvez desconfiasses de algo, mas não era uma certeza. Inundei-me em lágrimas e adormeci sobre o teu corpo na esperança de não acordar também, tal como Romeu e Julieta.
Dois dia depois, regressei àquela esplanada e desci à praia. Estava sol, mas sentia o frio na cara e nas mãos. As ondas batiam nas rochas e deixavam um pequeno rasto de espuma na areia. Tinha-te nos meus braços e larguei-te no mar juntamente com uma garrafa onde dizia tudo o que sentia, a despedir-me de ti e a contar que tinha um pequeno ser teu dentro de mim.
Sentei-me na areia, deixei o sol cair no horizonte e sorri com todas as minhas forças.
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