Dou por mim sentada numa cadeira fria e dura. Estou a olhar para uma parede branca com algumas imagens. Imagens de pessoas.
Apetece-me sair de casa, mas com quem? Com o computador ou com o telemóvel? Não, não pode ser. Onde estam as pessoas?
Desta vez deito-me no sofá e coloco o computador sobre as pernas. Liguei-me ás redes sociais. Fico o dia inteiro nisto: a visionar os perfis dos meus amigos ou então a escrever no blog. Estou sozinha, é certo, mas hoje em dia toda a população é como eu ou está perto de chegar a esse ponto.
Estamos todos sozinhos. As ruas estão vazias e lá fora chove. Chove e eu volto a escrever. A minha mãe bem me diz para sair de casa, mas sinceramente, para onde vou? E com quem? Não tenho amigos humanos apenas virtuais e esse não saem de dentro da caixa.
O mundo parou, o tempo parou. Parou de chover e o ecrã apagou-se. Ouve-se gritos, gritos humanos. Tudo continua a gritar e começa-se a ver pessoas a saírem para a rua. Ela agora está cheia. Nunca imaginei encontrar tamanha multidão.
Eu saio também e aos poucos todos ganham voz e palavras. Belisquei-me e pareceu-me tudo verdade. Vou adquirindo sentimentos e emoções. Choro, largo gargalhadas e finalmente tenho amigos reais.
Piada, era tudo mentira. Não passou de um bom sonho. Simplesmente adormeci no sofá com o computador em cima das pernas.
(texto para português)

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